O ano dos 30, da perda da virgindade de prêmios e da introspecção nunca vista antes na história desse país.

Acho bem massa os tipos de reflexões que os fins de ano nos oferecem. Às vezes tudo que a gente precisa é dar uma pensada com calma sobre onde estamos, o que poderia ter sido melhor e o que vamos fazer de diferente nas novas oportunidades que surgirem pelo caminho.

E se somos o resultado de um amontoado de decisões que tomamos, queria tentar fazer um resumão das que tomei em 2018.

Se fosse pra sintetizar tudo que vivi nesse ano de tanta loucura política e futebolística, eu diria que foi um ano bom e também um ano bem instrospectivo.

Bom porque fiz algumas novas amizades com ligações incrivelmente boas e recíprocas (mais até do que eu imaginaria), bom porque trintei, bom porque fui na FliAraxá e tirei foto com o Leonardo Boff, bom porque vi muitos shows fodas (só pra não deixar de citar: Medulla, Cícero, Lenine, Francisco El Hombre, Scalene, OutroEu, Supercombo, Plutão Já foi Planeta, Lagum, Porcas Borboletas, Baiana System, D2, a maravilhosa Elza Soares e Mellim), bom porque comecei teologia, bom porque finalmente ganhei prêmio no Festgraf (uma das maiores premiações publicitárias do interior do Brasil), bom porque não foi só um prêmio mas três, bom porque tive um poema selecionado no Concurso Literário da Editora Vivara e que, em 2019, vai compor um livro, bom porque vi muitas peças de teatro maravilhosas (também, só pra não deixar de citar algumas: Suassuna O Auto do Reino do Sol, Boca de Ouro, Moliére e A Visita da Velha Senhora), bom porque voltei a ser sócio de um clube (o que meu rendeu alguns dias de glória na beira da piscina), bom porque comecei a dar aula pra criança (coisa que eu nunca pensei que faria na vida), enfim, bom por muitos motivos.

Mas como bem sabemos: nem tudo são flores (coisa que a vida insiste em lembrar a gente todo dia). Por isso, acho que 2018 foi muito introspectivo. Não que o fato de ser introspectivo seja uma coisa propriamente ruim. É que no meu caso, acho que foi introspectivo até demais. 2018 foi o ano em que me fechei pra algumas amizades e outras simplesmente partiram. Provavelmente, minha psico falaria que isso são as dores do crescimento. Se eu tô crescendo eu não sei, só sei que em 2019 quero ser um pouco mais aberto pro mundo e pra vida.

Bom, é isso amigos. Espero que em 2019 eu escreva mais por aqui (coisa que eu quase não fiz em 2018). Novos anos, novas promessas eleitorais.

Resumão de 2018 em tópicos

– Escrevi e entreguei um poema pra Mel Lisboa.
– Fui na psico regularmente (ou quase)
– Surtei no trabalho.
– Fiz inimigos no Facebook.
– Me iludi.
– Tomei umas.
– Abracei Denise Fraga e João Grilo.
– Entrei na friendzone.
– Entrei na academia e a academia fechou.
– Casei um amigo.
– Virei padrinho do Davizão.
– Descobri novas bandas e cantores favoritos.
– Descobri que quero morar no Tauá Grande Hotel de Araxá
– Comprei mais livros do que consegui ler.

Intenções literárias pra 2019

Crônicas
– O Óbvio Ululante (Nelson Rodrigues)
Romances
– Memórias Póstumas de Brás Cubas (Machado de Assis)
– Dom Casmurro (Machado de Assis)
– O Alienista (Machado de Assis)
– Caim (José Saramago)
Poesia
– As Pessoas Parecem Flores Finalmente (Bukowski)
– O Amor Natural (Drummond)
– Ficções do Interlúdio (Fernando Pessoa)
– Textos Cruéis Demais Para Serem Lidos Rapidamente
– Outros Jeitos de Usar a Boca (Rupi Kaur)
Espiritualidade
– O Impostor que Vive em Mim (Brennann Manning)
– Os Quatro Amores (C. S. Lewis)
– Surpreendido pela Alegria (C. S. Lewis)
– A Abolição do Homem (C. S. Lewis)
– Arte não Precisa de Justificativa (Hans Rookmaaker)
Biografias
– Rita Lee: Uma Autobiografia

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Sobre o talento, que eu não tenho, de reconhecer estações.

Eu não ando sabendo definir muito bem o momento que eu tô vivendo. Esses dias ouvi de uma amiga que eu tô numa fase massa da minha vida.

Talvez em partes ela esteja certa. Acho que essa percepção que ela teve tem muito a ver com as coisas que eu comecei a fazer por mim mesmo: um projeto de poemas autorais, terapia, teologia, um curso relacionado ao meu trabalho, os momentos em casa tocando violão sozinho, entre outras coisas do gênero (ainda quero falar mais detalhadamente sobre elas aqui). Tudo isso tem de fato me feito muito bem.

Mas tem o outro lado da moeda ~sempre tem~ e esse texto é justamente sobre ele. Começando pelas amizades. Alguns amigos, que antes costumavam ser bem chegados, acabaram saindo da minha vida. Entraram em outro ciclo: novas cidades, novos amores, novos objetivos.

Também tenho experimentado uma sensação de deslocamento em alguns lugares que comecei a frequentar. Sabe aquele sentimento de estranho no ninho, carta fora do baralho? Tipo isso. A princípio eu imaginava que a “culpa” poderia ser minha por não estar me esforçando o suficiente. Mas fui convencido de que não. Têm lugares que as pessoas não se esforçam pra nos deixar a vontade. Fato.

No geral, sinto que estou procurando alguma coisa que ainda não encontrei e nem sei ao certo o que é ~ou quem é~. Mas não vou perder a esperança. Aparentemente, a fase tá massa sim. Só precisa de uns ajustes.

Desatando nós.

imagino que
a essa altura do campeonato
carregando quase 30 anos nas costas
com cabelos brancos já dando as caras
com contas pra pagar
e satisfações pra dar
e essa coisa toda
já não é mais uma opção
entrar em ciladas
digo,
nós costumamos dar nós
que não precisavam ser dados
é o que chamam de autosabotagem
ninguém faz isso porque quer, imagino
mas há de se pensar
na atraente oportunidade
de fazer escolhas.
escolha não se ferrar, marcelo.

Segunda-feira.

amanhã é segunda-feira.

vou levantar da cama bem cedo, preparar um café da manhã bem reforçado e malhar.

mentira.

amanhã é segunda-feira.

por isso, vou dormir hoje às 22h, levantar amanhã sem o despertador tocar e fazer os 5km do Parque do Sabiá. Correndo.

mentira.

amanhã é segunda-feira.

vou abrir o site de notícias antes de trabalhar, saber com detalhes de tudo o que tá acontecendo no mundo e analisar o cenário macroeconômico à procura de possibilidades de investimento.

mentira.

amanhã é segunda-feira.

vou acordar com o despertador tocando faltando meia-hora pra trabalhar, virar pro lado e dormir de novo. Depois, vou acordar com o terceiro toque do despertador e sair correndo que nem um louco.

mentira que a verdade seja dita.

Assinale a resposta certa.

No total, são pouco mais de 20 perguntas. Notas abaixo de 12 demonstram mau-caratismo. Envie suas respostas nos comentários pra avaliação.

( ) Chico ou ( ) Caetano. ( ) Ouro Branco ou ( ) Sonho de Valsa. ( ) Cheetos ou ( ) Doritos. ( ) Açúcar ou ( ) Adoçante. ( ) Banda ou ( ) DJ. ( ) Batman ou ( ) Superman. ( ) Sampa ou ( ) Rio. ( ) Praia ou ( ) Cachu. ( ) Tody ou ( ) Nescau. ( ) Gato ou ( ) Cachorro. ( ) Chá ou ( ) Café. ( ) Casa ou ( ) Apartamento. ( ) Skate ou ( ) Bicicleta. ( ) Coldplay ou ( ) Radiohead. ( ) Livro ou ( ) Filme. ( ) CD ou ( ) Vinil. ( ) Viajar ou ( ) Comprar. ( ) Frio ou ( ) Calor. ( ) Simpsons ou ( ) South Park. ( ) Ketchup ou ( ) Maionese. ( ) Pão ou ( ) Tapioca.

Um quadro pro meu quarto.

fonte

imagem: loja.parederia.com

Vou pendurar um quadro novo no meu quarto. Ok, na verdade ainda não tem nenhum lá. Então vou pendurar meu primeiro quadro no meu quarto.
Ao contrário do que sempre idealizei na vida, nele não vai ter nenhuma cena do pra sempre épico Clube da Luta. Nem um pedacinho de Amsterdã com uma bike clichê do clichê em primeiro plano. Nem uma das praias da Cidade Maravilhosa, no seu mais perfeito estado de malemolência. Nem data do tipo.
Vai ter só uma frase. E publicitariamente falando, essa frase nem é assim uma Brastemp. Mas é o que tá sendo necessário hoje pro bom andamento da vida.
Vai tá lá escrito: No bad vibes. E só. Dizem que menos é mais. Então tá aí. Toda a objetividade do mundo em um pequeno espaço de quatro ângulos. Tudo o que Augusto Cury levou anos e livros pra escrever, resumido em uma linha. Tudo o que o Obama quis dizer em seus discursos calorosos, condensado em um pedaço de madeira pregado na minha parede. Bem lá na minha frente, pra eu cruzar na hora que eu acordar e dormir, sem escapatórias.

Minha colaboração ao projeto Meus Velhos.

Nesse mês de maio tive a feliz oportunidade de conhecer o projeto cultural Meus Velhos. E foi paixão a primeira vista.
Esse projeto fotografa idosos pelas ruas de São Paulo. Pra mim, isso por si só já é suficientemente legal demais. Mas é que não para por aí.
Além de fotografar aleatoriamente esses velhinhos, ele convida pessoas que gostam de escrever a pedirem foto e assim se tornarem padrinhos de um deles. E foi exatamente o que eu fiz.
A foto que recebi foi desse senhorzinho aí de baixo. Não sei absolutamente nada sobre ele. Nem nome, nem endereço, nem facebook e muito menos ideologia, religião, partido político e essa coisa toda. Mas boto fé que é gente com índices de sabedoria e sensatez lá em cima. E isso é o que importa.
Antes de irmos pro texto, vale falar também que a iniciativa é tão interessante que já recebeu textos de nomes como a cantora e compositora Tiê e o ex-diretor de criação da Y&R e JWT, Átila Francucci. Já foi notícia também em sites como Estadão, Catraca Livre e Clube de Criação. Enfim, chega de papo fiado e eis aqui:

O VENDEDOR DE ALEGRIA.

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Foto: Bruno Varandas. Fonte: instagram.com/meusvelhos

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Você sabe bem, meu filho
Tem várias maneiras de se ganhar a vida.
A que eu escolhi é ela que me ganha
Tudo porque eu vendo alegria.
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Todos os dias acordo cedo
Pego meus balões e saio ligeiro
Atravesso a cidade com passos curtos
Mas de jeito nenhum alheio.
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Vou pra lá e pra cá
Carregando esperança
Vou pra lá e pra cá
Entro na dança e chamo as crianças.
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Sei que foi Deus quem me trouxe até aqui
E sei que tudo isso um dia serão lembranças.
Farei questão de guardá-las com o mesmo sorriso
Desse tempo que hoje batizo de bonança.
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Ah, e por favor, meu filho,
não me venha com pessimismo
E muito menos tolas desconfianças
A vida é bela, sim, e as rugas não importam.
Pra ser feliz, põe aí na sua cabeça: não existe tardança.