Ouro Preto é tudo isso que falam sim.

Finalmente tirei férias. Uma parte delas melhor dizendo. Aparentemente, no lugar em que trabalho sou o campeão no assunto férias vencidas. Aproveitei os dias de folga e fui conhecer Ouro Preto, cidade em que estava nos meus planos há pelo menos uns 4 anos.

Balbúrdia, ladeiras e gente de tudo quanto é canto.

Cheguei na cidade bem no dia da Greve Geral contra a reforma da previdência. A praça Tiradentes estava cheia de estudantes da UFOP falando palavras de ordem contra nosso digníssimo presidente. Tava lindo. Depois, rolou alguns shows. Um deles foi absurdo de bom: a banda Vilodum. Os caras pegam os maiores clássicos da música (principalmente nacional) e colocam uma pegada de percussão. É genial. Pirei nos covers que fizeram de Tim Maia. Dancei em praça pública sem medo de ser julgado.

Mas o trajeto pra chegar até a praça foi árduo. Ouro Preto é a cidade de malhar a bunda. Cada quarteirão é uma ladeira diferente. Então, temos aqui a primeira lição: o dia que for pra lá, alugue um lugar próximo do centro. É uma questão de sobrevivência.

Sobre as pessoas, a cidade é dividida em três grandes grupos: a população de origem, os universitários da UFOP e os turistas. Tem gente de tudo quanto é canto e é bastante comum ver gringo. A cidade realmente é um Patrimônio Cultural da Humanidade (foi declarada pela Unesco em 1980) e o mundo parece saber bem disso.

Museus, igrejas e eu dando uma de Wagner Moura.

É impressionante o tanto de lugar foda que existe pra visitar na cidade, principalmente quando o assunto é igrejas e museus. Grande parte desse mérito vem obviamente de Aleijadinho e Manuel da Costa Ataíde (Mestre Ataíde). Não por acaso, os dois nasceram na região. Aleijadinho é natural de Ouro Preto e Mestre Ataíde é de Mariana.

A cidade é cheia de obras dos dois. A que mais me chamou a atenção disparado foi a Assunção de Nossa Senhora, pintada no teto da igreja de São Francisco de Assis por Ataíde. Não sou católico, mas é muito fácil pirar olhando pra Maria em posição de oração, sentada num trono de nuvens, rodeada de anjos de todas as idades (se é que anjo tem idade) e raios de luz.

Entre as obras que vi do Aleijadinho, acho que vale destacar o lavabo da sacristia da Igreja de Nossa Senhora do Carmo, os quatro leões feitos em madeira e a fachada, púlpitos, a talha da capela-mor e o lavabo da sacristia da Igreja de São Francisco de Assis.

Se eu não estiver enganado, visitei um total de 4 igrejas: Basílica de Nossa Senhora do Pilar (reúne entalhes das três fases do barroco mineiro e está entre as capelas com maior quantidade de ouro do Brasil – mais de 400 kg), Igreja Nossa Senhora do Carmo (projetada pelo pai de Aleijadinho e modificada na fase de construção pelo próprio Aleijadinho – tem uma escadaria bem cinematográfica em frente), Igreja São Francisco de Assis (fica bem em frente à uma feira de artesanato, é lá que está pintada a Assunção de Nossa Senhora) e a Igreja de Nossa Senhora da Conceição que fica bem em frente ao hostel onde fiquei hospedado, mas por azar do destino estava em reforma, daí não deu pra olhar muita coisa.

Já os museus, visitei: Museu do Aleijadinho, Museu de Arte Sacra do Pilar, Museu da Inconfidência e Museu Casa dos Contos. Tem muita coisa incrível em todos eles. Mas também tinha uma coisa muito assustadora em um específico: no subsolo do Museu Casa dos Contos tem uma senzala, que expõe os objetos de punição que eram utilizados contra os escravos. É assustador de verdade. Não sou dessas pessoas que acreditam que certos ambientes carregam uma má energia, mas lá definitivamente não foi um lugar agradável de entrar.

Outro lugar incrível que rolou visitinha foi na Casa da Ópera. Dizem que esse é o teatro mais antigo em funcionamento da América Latina. O espaço é aberto pra visitação durante o dia por um preço bem caro de 3 bozos (tb tô de cara até agora, quase de graça). Obviamente, aproveitei. Sentei em todos os andares. Tirei fotos de todos os ângulos que minha imaginação poderia pensar. Subi no palco. E já que a oportunidade caiu no colo, recitei algumas coisas minhas. Foi meu momento de brilhar.

Bares, hipotermia e cineminha.

Tem muito barzinho bom na cidade. Visitei dois em especial que curti muito: o Taberna e o Porão. Os dois ficam no centro histórico, mas em lugares bem escondidos. No dia que fui no Taberna tava rolando um cover de Alceu Valença muito respeitável. Achei massa.
Ah, também tem uma livraria muito da hora que também funciona como padaria com direito à música ao vivo. Chama Café Cultural Ouro Preto. MPB de muita qualidade, que infelizmente eu não soube aproveitar muito bem (no dia que rolou música ao vivo, só passei na porta).

Nos dias que visitei a cidade tava rolando o Festival Varilux de Cinema Francês. Assisti dois filmes: um muito bom e outro muito ruim. Não vou gastar tempo falando do ruim, só do bom: Através do Fogo de Frédéric Tellier. É triste e interessante ao mesmo tempo.

Outras coisas que vale a pena destacar: a visitinha na casa do poeta português Tomás António Gonzaga, a Feira de Artesanato que me fez ter muita vontade de ser rico pra gastar fortunas, o hostel Trilhas de Minas (lugarzinho aconchegante, perto de tudo e com um atendimento e preço ótimos) e o frio absurdo que faz na cidade: vesti três blusas na maioria das noites e nem era inverno ainda.

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O ano dos 30, da perda da virgindade de prêmios e da introspecção nunca vista antes na história desse país.

Acho bem massa os tipos de reflexões que os fins de ano nos oferecem. Às vezes tudo que a gente precisa é dar uma pensada com calma sobre onde estamos, o que poderia ter sido melhor e o que vamos fazer de diferente nas novas oportunidades que surgirem pelo caminho.

E se somos o resultado de um amontoado de decisões que tomamos, queria tentar fazer um resumão das que tomei em 2018.

Se fosse pra sintetizar tudo que vivi nesse ano de tanta loucura política e futebolística, eu diria que foi um ano bom e também um ano bem instrospectivo.

Bom porque fiz algumas novas amizades com ligações incrivelmente boas e recíprocas (mais até do que eu imaginaria), bom porque trintei, bom porque fui na FliAraxá e tirei foto com o Leonardo Boff, bom porque vi muitos shows fodas (só pra não deixar de citar: Medulla, Cícero, Lenine, Francisco El Hombre, Scalene, OutroEu, Supercombo, Plutão Já foi Planeta, Lagum, Porcas Borboletas, Baiana System, D2, a maravilhosa Elza Soares e Mellim), bom porque comecei teologia, bom porque finalmente ganhei prêmio no Festgraf (uma das maiores premiações publicitárias do interior do Brasil), bom porque não foi só um prêmio mas três, bom porque tive um poema selecionado no Concurso Literário da Editora Vivara e que, em 2019, vai compor um livro, bom porque vi muitas peças de teatro maravilhosas (também, só pra não deixar de citar algumas: Suassuna O Auto do Reino do Sol, Boca de Ouro, Moliére e A Visita da Velha Senhora), bom porque voltei a ser sócio de um clube (o que meu rendeu alguns dias de glória na beira da piscina), bom porque comecei a dar aula pra criança (coisa que eu nunca pensei que faria na vida), enfim, bom por muitos motivos.

Mas como bem sabemos: nem tudo são flores (coisa que a vida insiste em lembrar a gente todo dia). Por isso, acho que 2018 foi muito introspectivo. Não que o fato de ser introspectivo seja uma coisa propriamente ruim. É que no meu caso, acho que foi introspectivo até demais. 2018 foi o ano em que me fechei pra algumas amizades e outras simplesmente partiram. Provavelmente, minha psico falaria que isso são as dores do crescimento. Se eu tô crescendo eu não sei, só sei que em 2019 quero ser um pouco mais aberto pro mundo e pra vida.

Bom, é isso amigos. Espero que em 2019 eu escreva mais por aqui (coisa que eu quase não fiz em 2018). Novos anos, novas promessas eleitorais.

Resumão de 2018 em tópicos

– Escrevi e entreguei um poema pra Mel Lisboa.
– Fui na psico regularmente (ou quase)
– Surtei no trabalho.
– Fiz inimigos no Facebook.
– Me iludi.
– Tomei umas.
– Abracei Denise Fraga e João Grilo.
– Entrei na friendzone.
– Entrei na academia e a academia fechou.
– Casei um amigo.
– Virei padrinho do Davizão.
– Descobri novas bandas e cantores favoritos.
– Descobri que quero morar no Tauá Grande Hotel de Araxá
– Comprei mais livros do que consegui ler.

Intenções literárias pra 2019

Crônicas
– O Óbvio Ululante (Nelson Rodrigues)
Romances
– Memórias Póstumas de Brás Cubas (Machado de Assis)
– Dom Casmurro (Machado de Assis)
– O Alienista (Machado de Assis)
– Caim (José Saramago)
Poesia
– As Pessoas Parecem Flores Finalmente (Bukowski)
– O Amor Natural (Drummond)
– Ficções do Interlúdio (Fernando Pessoa)
– Textos Cruéis Demais Para Serem Lidos Rapidamente
– Outros Jeitos de Usar a Boca (Rupi Kaur)
Espiritualidade
– O Impostor que Vive em Mim (Brennann Manning)
– Os Quatro Amores (C. S. Lewis)
– Surpreendido pela Alegria (C. S. Lewis)
– A Abolição do Homem (C. S. Lewis)
– Arte não Precisa de Justificativa (Hans Rookmaaker)
Biografias
– Rita Lee: Uma Autobiografia

Sobre o talento, que eu não tenho, de reconhecer estações.

Eu não ando sabendo definir muito bem o momento que eu tô vivendo. Esses dias ouvi de uma amiga que eu tô numa fase massa da minha vida.

Talvez em partes ela esteja certa. Acho que essa percepção que ela teve tem muito a ver com as coisas que eu comecei a fazer por mim mesmo: um projeto de poemas autorais, terapia, teologia, um curso relacionado ao meu trabalho, os momentos em casa tocando violão sozinho, entre outras coisas do gênero (ainda quero falar mais detalhadamente sobre elas aqui). Tudo isso tem de fato me feito muito bem.

Mas tem o outro lado da moeda ~sempre tem~ e esse texto é justamente sobre ele. Começando pelas amizades. Alguns amigos, que antes costumavam ser bem chegados, acabaram saindo da minha vida. Entraram em outro ciclo: novas cidades, novos amores, novos objetivos.

Também tenho experimentado uma sensação de deslocamento em alguns lugares que comecei a frequentar. Sabe aquele sentimento de estranho no ninho, carta fora do baralho? Tipo isso. A princípio eu imaginava que a “culpa” poderia ser minha por não estar me esforçando o suficiente. Mas fui convencido de que não. Têm lugares que as pessoas não se esforçam pra nos deixar a vontade. Fato.

No geral, sinto que estou procurando alguma coisa que ainda não encontrei e nem sei ao certo o que é ~ou quem é~. Mas não vou perder a esperança. Aparentemente, a fase tá massa sim. Só precisa de uns ajustes.

Desatando nós.

imagino que
a essa altura do campeonato
carregando quase 30 anos nas costas
com cabelos brancos já dando as caras
com contas pra pagar
e satisfações pra dar
e essa coisa toda
já não é mais uma opção
entrar em ciladas
digo,
nós costumamos dar nós
que não precisavam ser dados
é o que chamam de autosabotagem
ninguém faz isso porque quer, imagino
mas há de se pensar
na atraente oportunidade
de fazer escolhas.
escolha não se ferrar, marcelo.

Segunda-feira.

amanhã é segunda-feira.

vou levantar da cama bem cedo, preparar um café da manhã bem reforçado e malhar.

mentira.

amanhã é segunda-feira.

por isso, vou dormir hoje às 22h, levantar amanhã sem o despertador tocar e fazer os 5km do Parque do Sabiá. Correndo.

mentira.

amanhã é segunda-feira.

vou abrir o site de notícias antes de trabalhar, saber com detalhes de tudo o que tá acontecendo no mundo e analisar o cenário macroeconômico à procura de possibilidades de investimento.

mentira.

amanhã é segunda-feira.

vou acordar com o despertador tocando faltando meia-hora pra trabalhar, virar pro lado e dormir de novo. Depois, vou acordar com o terceiro toque do despertador e sair correndo que nem um louco.

mentira que a verdade seja dita.

Assinale a resposta certa.

No total, são pouco mais de 20 perguntas. Notas abaixo de 12 demonstram mau-caratismo. Envie suas respostas nos comentários pra avaliação.

( ) Chico ou ( ) Caetano. ( ) Ouro Branco ou ( ) Sonho de Valsa. ( ) Cheetos ou ( ) Doritos. ( ) Açúcar ou ( ) Adoçante. ( ) Banda ou ( ) DJ. ( ) Batman ou ( ) Superman. ( ) Sampa ou ( ) Rio. ( ) Praia ou ( ) Cachu. ( ) Tody ou ( ) Nescau. ( ) Gato ou ( ) Cachorro. ( ) Chá ou ( ) Café. ( ) Casa ou ( ) Apartamento. ( ) Skate ou ( ) Bicicleta. ( ) Coldplay ou ( ) Radiohead. ( ) Livro ou ( ) Filme. ( ) CD ou ( ) Vinil. ( ) Viajar ou ( ) Comprar. ( ) Frio ou ( ) Calor. ( ) Simpsons ou ( ) South Park. ( ) Ketchup ou ( ) Maionese. ( ) Pão ou ( ) Tapioca.

Um quadro pro meu quarto.

fonte

imagem: loja.parederia.com

Vou pendurar um quadro novo no meu quarto. Ok, na verdade ainda não tem nenhum lá. Então vou pendurar meu primeiro quadro no meu quarto.
Ao contrário do que sempre idealizei na vida, nele não vai ter nenhuma cena do pra sempre épico Clube da Luta. Nem um pedacinho de Amsterdã com uma bike clichê do clichê em primeiro plano. Nem uma das praias da Cidade Maravilhosa, no seu mais perfeito estado de malemolência. Nem data do tipo.
Vai ter só uma frase. E publicitariamente falando, essa frase nem é assim uma Brastemp. Mas é o que tá sendo necessário hoje pro bom andamento da vida.
Vai tá lá escrito: No bad vibes. E só. Dizem que menos é mais. Então tá aí. Toda a objetividade do mundo em um pequeno espaço de quatro ângulos. Tudo o que Augusto Cury levou anos e livros pra escrever, resumido em uma linha. Tudo o que o Obama quis dizer em seus discursos calorosos, condensado em um pedaço de madeira pregado na minha parede. Bem lá na minha frente, pra eu cruzar na hora que eu acordar e dormir, sem escapatórias.