Hora de apertar forte a mãozinha da Comunicação não Violenta.

Eu ando patinando no assunto comunicação verbal ~e não verbal também~. Principalmente, profissionalmente falando.

Talvez não por coincidência, de um tempo pra cá eu ando ouvindo falar muito sobre o conceito de Comunicação não Violenta (não, eu não vi isso na faculdade de psicologia. Até porque, até o momento eu tive só uma aula, ou seja, não deu nem tempo).

O cara gente fina que resolveu presentear a humanidade com essa benção foi o psicólogo estadunidense Marshall Rosenberg.

Segundo o que eu andei lendo, A CNV é uma ferramenta que tem o objetivo ~muito maravilhoso~ de criar relações mais harmoniosas e pacíficas (tudo que eu ando precisando no momento). Ela nos ajuda a comunicar com empatia e compaixão e, por consequência, melhorar nossos relacionamentos.

Basicamente funciona assim, a comunicação não violenta abre a porta para o outro ao invés de fechá-la, de forma a contribuir para a solução de brigas ou a impedição de conflitos. É uma forma de criar uma ponte com o outro, mesmo enquanto o sangue tá quente que nem o sol do meio dia.

O por que disso?

Não é novidade pra ninguém que inteligência emocional é coisa rara. A maioria de nós não aprendeu isso nem na educação familiar e muito menos na educação formal. Não sabemos fazer corretamente a gestão das nossas emoções, daí quando sentimos raiva, estresse ou qualquer outra emoção forte, agimos de forma reativa.

Até onde eu li, “toda agressão verbal é uma expressão trágica de uma necessidade não atendida”. O que isso quer dizer na prática: toda agressão verbal é só uma forma, pouco eficiente, de pedirmos algo para o outro. É meio óbvio que não vamos receber nada desse jeito ou se recebermos, haverá um desgaste imenso na relação, talvez acompanhado até de um delicioso sentimento de culpa.

Ou seja, CNV é importante?

É pra caralho. Porque ela nos mostra um jeito de comunicar sem tratar os outros com falta de respeito. Em contrapartida, ela faz isso sem deixar que nós sejamos dominados pela raiva ou, por outro lado, engulamos sapo abraçando a confortável, e não muito indicável, omissão.

Além disso, ela ajuda com a nossa paz interior, nosso poder de resiliência e nossa compaixão, tanto pelos outros quanto por nós mesmos. Seria uma espécie de alinhamento dos chakras para os mais místicos.

Algumas dicas que eu achei, pra já tentar começar a exercitar de cara:

– Identificar quais emoções desconfortáveis estou sentindo agora.
– Compreender quais são as minhas necessidades por trás desses sentimentos (existe sempre um pedido por trás da nossa fala, pode ser de atenção, de cuidado, de amor, de reconhecimento. É preciso entender o que realmente estou querendo dizer ao outro).
– Revelar, de modo calmo, necessidades que não estão sendo atendidas.
– Separar julgamentos de fatos.
– Questionar comigo mesmo como isso que estou falando, no tom que estou falando, está chegando até o outro.
– Enxergar o que tem por trás do comportamento do outro que está me irritando tanto.
– Deixar o outro expressar sua opinião sem interrupções, indelicadezas e nem levar pro lado pessoal.
– Firmar um acordo que viabilize uma boa convivência.

Agora, vamos desenhar…

Exemplo Nota Ruim
(comunicação reativa)

Quando a gente, diz, por exemplo:
“Pô, você não tá nem aí, Taís!”.
A mensagem que é “preciso de colaboração” fica obscurecida pela forma como foi dita.
Nas entrelinhas, Taís entende:
“Ah, essa pessoa quer me derrubar”.
E assim começam os conflitos deliciosos e intermináveis.

Exemplo Medalhinha de Honra ao Mérito
(comunicação não violenta)

Essa é a diferença quando a gente expressa nossas emoções, necessidades e fatos com clareza:
“Taís, me sinto triste quando vejo você no celular durante as reuniões, porque eu preciso da sua atenção. Quando você participa, as reuniões ficam mais criativas, mais colaborativas. Por favor, você pode responder as mensagens em outro momento?”

É disso que eu tô falando e precisando, meus amigos. Aliás, é disso que todo mundo precisa de um pouquinho mais. Nóis que voa.

É tudo vaidade.

Uma preguiça invade meu ser cibernético. Estou criando birra de assuntos que viram Trending Topics e que, por esse motivo, fazem com que 90% da população do meu feed comente sobre eles simultaneamente.

Acho muito clichê comentar algo que está na modinha. Acho muito clichê essa espécie de obrigação social de ter que emitir uma opinião sobre tudo que viraliza. Acho clichê e também acho um saco.

A internet, mesmo sendo um parque de diversões pra mim, tem hora que me cansa. Talvez eu devesse passar mais tempo off-line. Até conversar borracha no whatsapp tem me cansado. Conversas que muita das vezes me tomam um tempo que eu não tenho. O problema é que pra conhecer pessoas novas, exigem conversas prolongadas. Mas e quando a conversa não é tão interessante assim?

Alguém nos leve de volta pra 1820.
Brinks. Não tinha Spotify naquela época, daí fode.

Cuidado que eu mudei de lugar algumas certezas.

Esse título não é meu. Peguei emprestado da letra de uma música que chama Açúcar ou Adoçante, do Cícero. Completei 31 anos essa semana. Dizem que a sabedoria vem com o tempo. Eu particularmente não acho que isso seja uma ciência exata. Ando vendo muito senhor e senhora de idade passando vergonha nos mais diferentes assuntos. É claro que se alguém perto de nós quer passar vergonha, a gente tem que respeitar esse direito que é tão dela. E tão nosso.

Eu pensava que quanto mais aniversários eu completasse, mais eu teria certeza das coisas: das minhas escolhas, dos meus pensamentos. Mas a realidade é que eu cheguei aos 31 com muito menos certezas do que eu gostaria. Pelo contrário, anda sobrando dúvidas na minha carreira, nas minhas interpretações teológicas, no tipo de gente que eu devo me relacionar, na forma como eu devo me tratar e como eu quero que os outros me tratem. Anda sobrando.

Mas nunca me prometeram que a vida seria uma ciência exata. Então tá tudo bem. A gente vai lidando. Talvez o segredo seja justamente esse: não pensar que temos a plena certeza de tudo. Que venha mais um ano cheio de dúvidas.

Ouro Preto é tudo isso que falam sim.

Finalmente tirei férias. Uma parte delas melhor dizendo. Aparentemente, no lugar em que trabalho sou o campeão no assunto férias vencidas. Aproveitei os dias de folga e fui conhecer Ouro Preto, cidade em que estava nos meus planos há pelo menos uns 4 anos.

Balbúrdia, ladeiras e gente de tudo quanto é canto.

Cheguei na cidade bem no dia da Greve Geral contra a reforma da previdência. A praça Tiradentes estava cheia de estudantes da UFOP falando palavras de ordem contra nosso digníssimo presidente. Tava lindo. Depois, rolou alguns shows. Um deles foi absurdo de bom: a banda Vilodum. Os caras pegam os maiores clássicos da música (principalmente nacional) e colocam uma pegada de percussão. É genial. Pirei nos covers que fizeram de Tim Maia. Dancei em praça pública sem medo de ser julgado.

Mas o trajeto pra chegar até a praça foi árduo. Ouro Preto é a cidade de malhar a bunda. Cada quarteirão é uma ladeira diferente. Então, temos aqui a primeira lição: o dia que for pra lá, alugue um lugar próximo do centro. É uma questão de sobrevivência.

Sobre as pessoas, a cidade é dividida em três grandes grupos: a população de origem, os universitários da UFOP e os turistas. Tem gente de tudo quanto é canto e é bastante comum ver gringo. A cidade realmente é um Patrimônio Cultural da Humanidade (foi declarada pela Unesco em 1980) e o mundo parece saber bem disso.

Museus, igrejas e eu dando uma de Wagner Moura.

É impressionante o tanto de lugar foda que existe pra visitar na cidade, principalmente quando o assunto é igrejas e museus. Grande parte desse mérito vem obviamente de Aleijadinho e Manuel da Costa Ataíde (Mestre Ataíde). Não por acaso, os dois nasceram na região. Aleijadinho é natural de Ouro Preto e Mestre Ataíde é de Mariana.

A cidade é cheia de obras dos dois. A que mais me chamou a atenção disparado foi a Assunção de Nossa Senhora, pintada no teto da igreja de São Francisco de Assis por Ataíde. Não sou católico, mas é muito fácil pirar olhando pra Maria em posição de oração, sentada num trono de nuvens, rodeada de anjos de todas as idades (se é que anjo tem idade) e raios de luz.

Entre as obras que vi do Aleijadinho, acho que vale destacar o lavabo da sacristia da Igreja de Nossa Senhora do Carmo, os quatro leões feitos em madeira e a fachada, púlpitos, a talha da capela-mor e o lavabo da sacristia da Igreja de São Francisco de Assis.

Se eu não estiver enganado, visitei um total de 4 igrejas: Basílica de Nossa Senhora do Pilar (reúne entalhes das três fases do barroco mineiro e está entre as capelas com maior quantidade de ouro do Brasil – mais de 400 kg), Igreja Nossa Senhora do Carmo (projetada pelo pai de Aleijadinho e modificada na fase de construção pelo próprio Aleijadinho – tem uma escadaria bem cinematográfica em frente), Igreja São Francisco de Assis (fica bem em frente à uma feira de artesanato, é lá que está pintada a Assunção de Nossa Senhora) e a Igreja de Nossa Senhora da Conceição que fica bem em frente ao hostel onde fiquei hospedado, mas por azar do destino estava em reforma, daí não deu pra olhar muita coisa.

Já os museus, visitei: Museu do Aleijadinho, Museu de Arte Sacra do Pilar, Museu da Inconfidência e Museu Casa dos Contos. Tem muita coisa incrível em todos eles. Mas também tinha uma coisa muito assustadora em um específico: no subsolo do Museu Casa dos Contos tem uma senzala, que expõe os objetos de punição que eram utilizados contra os escravos. É assustador de verdade. Não sou dessas pessoas que acreditam que certos ambientes carregam uma má energia, mas lá definitivamente não foi um lugar agradável de entrar.

Outro lugar incrível que rolou visitinha foi na Casa da Ópera. Dizem que esse é o teatro mais antigo em funcionamento da América Latina. O espaço é aberto pra visitação durante o dia por um preço bem caro de 3 bozos (tb tô de cara até agora, quase de graça). Obviamente, aproveitei. Sentei em todos os andares. Tirei fotos de todos os ângulos que minha imaginação poderia pensar. Subi no palco. E já que a oportunidade caiu no colo, recitei algumas coisas minhas. Foi meu momento de brilhar.

Bares, hipotermia e cineminha.

Tem muito barzinho bom na cidade. Visitei dois em especial que curti muito: o Taberna e o Porão. Os dois ficam no centro histórico, mas em lugares bem escondidos. No dia que fui no Taberna tava rolando um cover de Alceu Valença muito respeitável. Achei massa.
Ah, também tem uma livraria muito da hora que também funciona como padaria com direito à música ao vivo. Chama Café Cultural Ouro Preto. MPB de muita qualidade, que infelizmente eu não soube aproveitar muito bem (no dia que rolou música ao vivo, só passei na porta).

Nos dias que visitei a cidade tava rolando o Festival Varilux de Cinema Francês. Assisti dois filmes: um muito bom e outro muito ruim. Não vou gastar tempo falando do ruim, só do bom: Através do Fogo de Frédéric Tellier. É triste e interessante ao mesmo tempo.

Outras coisas que vale a pena destacar: a visitinha na casa do poeta português Tomás António Gonzaga, a Feira de Artesanato que me fez ter muita vontade de ser rico pra gastar fortunas, o hostel Trilhas de Minas (lugarzinho aconchegante, perto de tudo e com um atendimento e preço ótimos) e o frio absurdo que faz na cidade: vesti três blusas na maioria das noites e nem era inverno ainda.

O ano dos 30, da perda da virgindade de prêmios e da introspecção nunca vista antes na história desse país.

Acho bem massa os tipos de reflexões que os fins de ano nos oferecem. Às vezes tudo que a gente precisa é dar uma pensada com calma sobre onde estamos, o que poderia ter sido melhor e o que vamos fazer de diferente nas novas oportunidades que surgirem pelo caminho.

E se somos o resultado de um amontoado de decisões que tomamos, queria tentar fazer um resumão das que tomei em 2018.

Se fosse pra sintetizar tudo que vivi nesse ano de tanta loucura política e futebolística, eu diria que foi um ano bom e também um ano bem instrospectivo.

Bom porque fiz algumas novas amizades com ligações incrivelmente boas e recíprocas (mais até do que eu imaginaria), bom porque trintei, bom porque fui na FliAraxá e tirei foto com o Leonardo Boff, bom porque vi muitos shows fodas (só pra não deixar de citar: Medulla, Cícero, Lenine, Francisco El Hombre, Scalene, OutroEu, Supercombo, Plutão Já foi Planeta, Lagum, Porcas Borboletas, Baiana System, D2, a maravilhosa Elza Soares e Mellim), bom porque comecei teologia, bom porque finalmente ganhei prêmio no Festgraf (uma das maiores premiações publicitárias do interior do Brasil), bom porque não foi só um prêmio mas três, bom porque tive um poema selecionado no Concurso Literário da Editora Vivara e que, em 2019, vai compor um livro, bom porque vi muitas peças de teatro maravilhosas (também, só pra não deixar de citar algumas: Suassuna O Auto do Reino do Sol, Boca de Ouro, Moliére e A Visita da Velha Senhora), bom porque voltei a ser sócio de um clube (o que meu rendeu alguns dias de glória na beira da piscina), bom porque comecei a dar aula pra criança (coisa que eu nunca pensei que faria na vida), enfim, bom por muitos motivos.

Mas como bem sabemos: nem tudo são flores (coisa que a vida insiste em lembrar a gente todo dia). Por isso, acho que 2018 foi muito introspectivo. Não que o fato de ser introspectivo seja uma coisa propriamente ruim. É que no meu caso, acho que foi introspectivo até demais. 2018 foi o ano em que me fechei pra algumas amizades e outras simplesmente partiram. Provavelmente, minha psico falaria que isso são as dores do crescimento. Se eu tô crescendo eu não sei, só sei que em 2019 quero ser um pouco mais aberto pro mundo e pra vida.

Bom, é isso amigos. Espero que em 2019 eu escreva mais por aqui (coisa que eu quase não fiz em 2018). Novos anos, novas promessas eleitorais.

Resumão de 2018 em tópicos

– Escrevi e entreguei um poema pra Mel Lisboa.
– Fui na psico regularmente (ou quase)
– Surtei no trabalho.
– Fiz inimigos no Facebook.
– Me iludi.
– Tomei umas.
– Abracei Denise Fraga e João Grilo.
– Entrei na friendzone.
– Entrei na academia e a academia fechou.
– Casei um amigo.
– Virei padrinho do Davizão.
– Descobri novas bandas e cantores favoritos.
– Descobri que quero morar no Tauá Grande Hotel de Araxá
– Comprei mais livros do que consegui ler.

Sobre o talento, que eu não tenho, de reconhecer estações.

Eu não ando sabendo definir muito bem o momento que eu tô vivendo. Esses dias ouvi de uma amiga que eu tô numa fase massa da minha vida.

Talvez em partes ela esteja certa. Acho que essa percepção que ela teve tem muito a ver com as coisas que eu comecei a fazer por mim mesmo: um projeto de poemas autorais, terapia, teologia, um curso relacionado ao meu trabalho, os momentos em casa tocando violão sozinho, entre outras coisas do gênero (ainda quero falar mais detalhadamente sobre elas aqui). Tudo isso tem de fato me feito muito bem.

Mas tem o outro lado da moeda ~sempre tem~ e esse texto é justamente sobre ele. Começando pelas amizades. Alguns amigos, que antes costumavam ser bem chegados, acabaram saindo da minha vida. Entraram em outro ciclo: novas cidades, novos amores, novos objetivos.

Também tenho experimentado uma sensação de deslocamento em alguns lugares que comecei a frequentar. Sabe aquele sentimento de estranho no ninho, carta fora do baralho? Tipo isso. A princípio eu imaginava que a “culpa” poderia ser minha por não estar me esforçando o suficiente. Mas fui convencido de que não. Têm lugares que as pessoas não se esforçam pra nos deixar a vontade. Fato.

No geral, sinto que estou procurando alguma coisa que ainda não encontrei e nem sei ao certo o que é ~ou quem é~. Mas não vou perder a esperança. Aparentemente, a fase tá massa sim. Só precisa de uns ajustes.

Segunda-feira.

amanhã é segunda-feira.

vou levantar da cama bem cedo, preparar um café da manhã bem reforçado e malhar.

mentira.

amanhã é segunda-feira.

por isso, vou dormir hoje às 22h, levantar amanhã sem o despertador tocar e fazer os 5km do Parque do Sabiá. Correndo.

mentira.

amanhã é segunda-feira.

vou abrir o site de notícias antes de trabalhar, saber com detalhes de tudo o que tá acontecendo no mundo e analisar o cenário macroeconômico à procura de possibilidades de investimento.

mentira.

amanhã é segunda-feira.

vou acordar com o despertador tocando faltando meia-hora pra trabalhar, virar pro lado e dormir de novo. Depois, vou acordar com o terceiro toque do despertador e sair correndo que nem um louco.

mentira que a verdade seja dita.